Um dos símbolos centenários de tradicionais romarias de fé em Morro Vermelho, o Cruzeiro do Rosário, cujas ruínas ficaram de pé até o fim do século 20, por mais de 200 anos recebia periodicamente fiéis para missas campais em meio à natureza. Era também ponto final de frequentes caminhadas de devotos durante todo o ano, além de se uma atração para os turistas.
Contavam antigos moradores que o monumento fazia parte de uma quatrilogia de cruzes sagradas, se alinhando em linha reta com os cruzeiros do cemitério, da Praça da Matriz e do Morro da Santa Cruz (Morro Vermelho), formando um conjunto de proteção total aos moradores do distrito.
Infelizmente, a mais bela das cruzes com todos os símbolos do martírio de Cristo, no adro da igreja, acabou carcomida pelo tempo, não sendo substituída.
O Cruzeiro do Rosário há mais de dois séculos também registrava poderes mágicos para abrandar longas estiagens em Morro Vermelho. Iniciada temporada de chuva e sem uma gota qualquer nas plantações e nas bicas, moradores faziam romarias até o local, levando nas costas montes de pedras e garrafas de água, que eram depositados ao pé da cruz sagrada. Dias depois, a boa água descia dos céus, verdejando quintais, hortas e matando a sede dos animais. Alguns moradores revelam que um dos devotos, o agricultor Sudário Leal, certa vez levou pedras e água ao Cruzeiro do Rosário e já retornou debaixo de pesado temporal.
Por várias vezes, lideranças comunitárias se organizaram para restaurar o monumento e as romarias ao local, mas sem sucesso. Em março de 2022, por iniciativa do vereador Reinaldo Bacana, um novo e imponente monumento de madeira maciça foi instalado no local, permitindo que os moradores possam resgatar as missas campais e romarias de fé.